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Ruas estreitas, corações largos.

Por estas ruas estreitas, pouco longas e por onde apenas um sentido passa, excepto quando as passamos erguidos por duas das única duas que nos fazem manter-nos de pé, diz-se que quem aqui vive, sabe exactamente o peso que isso representa. Um 'bom dia!' tem exactamente a importância que deve ter, assim como um 'obrigada!' ou um 'até amanhã!'. Não são precisas roupas luxuosas, carros que estão no topo do topo e muito menos casas incrivelmente requintadas e de certa forma, supérfluas. Cada um sabe de si, mas todos sabemos uns dos outros. Viram-me nascer e crescer, assim como eu vi tantos outros que só depois chegaram. Mas nunca, em momento algum, eu vi alguém virar-me as costas e abandonar-me, assim como se eu não fosse daqui. Eu sei onde estou e o porquê de estar aqui, o porquê de querer ficar. Não interessa quantas viagens eu faça, quantos caminhos eu percorra, quantas estradas eu desvende, porque há sempre um lugar que nunca nenhum outro saberá derrubar. Não fal...

Eu espero que um dia possa ser a pessoa em quem alguém pensa quando lhe perguntam por um sorriso fácil e uma alma bonita.

O meu não tipo de pessoa

Nunca fui o tipo de pessoa por quem alguém poderia apaixonar-se, na realidade eu acho que nunca fui o tipo de pessoa para quem os rapazes olhavam e pensavam «ela é linda». Talvez porque não o sou ou porque todas as pessoas à minha volta o são em maior quantidade. Eu costumo ser «a boa amiga», mas nunca o amor para toda a vida. Costumo ser «a menina simpática», mas não a menina por quem alguém daria o mundo. Assim, fui-me habituando a esta realidade e realmente comecei a esquecer-me de que podia ser o sonho de alguém. Na minha mente, não conseguia sequer imaginar alguém a perder sonos por mim. Não imagina alguém a olhar-me numa outra mesa do centro comercial e a pensar o quanto seria bom conhecer-me. Não conseguia fechar os olhos à noite e visualizar alguém deitado na cama a pensar em mim e no quão bom bonito é o meu sorriso - ainda que não seja de todo verdade. Por ventura, essa pessoa sentiria necessidade de ser o motivo do meu sorriso e isso era uma hipotética situação completame...

A saudade que não tens.

Eu prometi-lhe que voltarias. Disse-lhe que corrias à nossa procura e nos abraçarias com toda a força que ainda te restava. Neguei-lhe as lágrimas que caíam com tanta intensidade como a chuva. A mesma chuva que um dia foi neve e tu me ajudaste a juntar, para com ela criarmos o Tobias, o doce boneco de neve que teve de ir embora porque "ele adorava viajar". Enquanto lhe prometia que voltarias tentava convencer-me de que o farias. Porque... todos sabemos. Eu sou uma das pessoas que mais sente a tua falta. Das longas tranças que fazias nos meus cabelos e os vestidos que insistias em mostrar-me. Esforcei-me para acreditar que numa destas tardes chegarias e me abraçarias de novo. Mas cheguei à conclusão de que aquela promessa que lhe fiz, teria de lhe ser negada. É claro que é muito mais fácil ir embora. Eu também acho. Também acho que é muito mais fácil dizer adeus do que prometer não desistir. Eu entenderia na perfeição se fosse qualquer outra pessoa. Mas tu, logo tu que nunca ...

Querido Pai Natal,

Há quem comente por aí que já não tenho idade para te escrever, outros avisam-me que não existes. Felizmente, não acredito em nada do que me dizem. Este ano, assim como em todos os outros, vim apenas pedir-te uma prenda. Não depende totalmente de ti, eu sei, mas desde pequena que te vejo como um génio da lâmpada do Aladin que vive mais perto. Então, mais uma vez peço o que sempre te pedi depois dos sapatinhos para a minha irmã. Continua a levar sapatinhos para todas as crianças a quem os médicos disseram que não podiam andar. Continua a levar óculos para quem os médicos disseram que não podiam ver. Continua a levar roupa quente para quem os meteorologistas disseram que não haveria chuva, nem tão pouco neve. Continua a levar comida para quem os ricos disseram que podiam comprar o que quisessem. Continua a levar companhia para quem as pessoas menos boas disseram 'estás sozinho'. Continua a levar doces para quem o tempo tirou os dentes. Continua a levar música para quem os médic...

Ser adolescente é uma aventura, mas nem todos somos bons aventureiros.

É arte. A adolescência é isso. É viver algo abstrato e fora do contexto que tem de ser concreto de alguma forma. Eu sempre sonhei chegar a esta fase; acreditava de deixaria de ser vista como uma criança e passaria a ter maturidade suficiente para tomar as minhas próprias decisões. Agora, tenho apenas maturidade suficiente para perceber o porquê do Peter Pan não querer crescer. É que ser adolescente é uma aventura, mas nem todos bons aventureiros. É errado criticar algo de que faço parte, mas há por aí aventureiros que precisavam impreterivelmente de uma bússola, de um mapa ou, quem sabe, de um guia. Quando tu vives uma aventura, tu tens de ter a certeza que, no futuro, ela será uma boa experiencia e não algo que te deixe desiludido. Ser adolescente é querer constantemente ter histórias para contar e essas histórias têm de ser boas para que ser adolescente valha a pena. No entanto, têm inevitavelmente de ser histórias que uma dia, com mais 60 anos do que aqueles que tens agora, qua...

Uma meia do tom da tua, outra do tom da minha.

Eu cresci. Sempre receei dizer isto, parecia tão imoral. Faz tempo desde que o conceito de crescer se altera a cada dia novo, todos os dias eu tenho vindo a crescer e só agora eu reparei na dimensão, em termos de pessoa, que me tornei. E bem, a verdade é essa, eu cresci. Achava que devia ser alguém a dizer-mo e não uma afirmação vinda de mim mesma, mas com o tempo eu fui percebendo que ninguém me conhece bem o suficiente para poder afirmar algo de tamanha importância, além de eu própria. Então, a realidade à cerca de mim, começa a fazer sentido quando sou eu a declará-la. Eu realmente cresci. E eu percebi isso todas as vezes em que depois de um dia preenchido de aulas, eu desci a rua estreita a caminho de casa e vi rostos tristes e depressivos. Expressões amargas e quase incapazes de esboçar um sorriso. Foram várias as minhas tentativas de receber sorrisos da parte daqueles corpos cientes em demasia da vida. Eu ri alto, fingi tropeçar e até cantei com o meu pior tom de voz, o natu...