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Ser adolescente é uma aventura, mas nem todos somos bons aventureiros.

É arte. A adolescência é isso. É viver algo abstrato e fora do contexto que tem de ser concreto de alguma forma. Eu sempre sonhei chegar a esta fase; acreditava de deixaria de ser vista como uma criança e passaria a ter maturidade suficiente para tomar as minhas próprias decisões. Agora, tenho apenas maturidade suficiente para perceber o porquê do Peter Pan não querer crescer. É que ser adolescente é uma aventura, mas nem todos bons aventureiros. É errado criticar algo de que faço parte, mas há por aí aventureiros que precisavam impreterivelmente de uma bússola, de um mapa ou, quem sabe, de um guia. Quando tu vives uma aventura, tu tens de ter a certeza que, no futuro, ela será uma boa experiencia e não algo que te deixe desiludido. Ser adolescente é querer constantemente ter histórias para contar e essas histórias têm de ser boas para que ser adolescente valha a pena. No entanto, têm inevitavelmente de ser histórias que uma dia, com mais 60 anos do que aqueles que tens agora, qua...

Uma meia do tom da tua, outra do tom da minha.

Eu cresci. Sempre receei dizer isto, parecia tão imoral. Faz tempo desde que o conceito de crescer se altera a cada dia novo, todos os dias eu tenho vindo a crescer e só agora eu reparei na dimensão, em termos de pessoa, que me tornei. E bem, a verdade é essa, eu cresci. Achava que devia ser alguém a dizer-mo e não uma afirmação vinda de mim mesma, mas com o tempo eu fui percebendo que ninguém me conhece bem o suficiente para poder afirmar algo de tamanha importância, além de eu própria. Então, a realidade à cerca de mim, começa a fazer sentido quando sou eu a declará-la. Eu realmente cresci. E eu percebi isso todas as vezes em que depois de um dia preenchido de aulas, eu desci a rua estreita a caminho de casa e vi rostos tristes e depressivos. Expressões amargas e quase incapazes de esboçar um sorriso. Foram várias as minhas tentativas de receber sorrisos da parte daqueles corpos cientes em demasia da vida. Eu ri alto, fingi tropeçar e até cantei com o meu pior tom de voz, o natu...

Como me sinto hoje.

Numa das primeiras aulas de Psicologia, o professor fez a derradeira pergunta e o pior é que não a fez por educação, ele fê-la com o intuito de realmente saber a resposta. Na altura, pediu-nos que nada disséssemos e que apenas o escrevêssemos. Todas pegaram na caneta e começaram a escrever frases soltas e complexas na folha e eu nada soube. Então, foi isso que lhe escrevi respondendo à pergunta: Como te sentes hoje? "Eu não sei. Provavelmente foi isso que me levou a demorar tanto tempo para começar a escrever. É tão estranho eu pensar durante horas e horas sobre o que eu própria sinto e no fim dar-me conta que não sei. O mais certo é eu saber, mas não ter as palavras acertadas para o expressar. Há alturas no meu "hoje" em que eu me sinto incrivelmente feliz, como se tudo à minha volta sorrisse docemente. Depois a altura muda e eu noto que eu também mudo. Sinto-me totalmente diferente, como se os sorrisos doces se tornassem falsos sorriso. Comigo isso também acontece. Ali...

Textos de amor.

Já escrevi inúmeros. Os remetentes foram alguns, comecei por referi-los no início dos ditos textos, era uma questão de lógica, achava. Depois percebi que o amor não tinha de todo uma lógica concreta, não fazia muito sentido, é algo que surge e te faz acordar e não permanecer na cama. Perguntava-me quanto tempo levaria até que eu encontrasse alguém. Quanto tempo mais eu iria chorar pelo rapaz errado ou sonhar acordada com a falta de um rapaz certo. Perguntava-me o porquê de não ter ninguém que me visse e não que me olhasse apenas. Nos textos, falava das dores que era não ter um remetente fixo, um tal de sempre, um tal de 'tal'. Aquilo não fazia sentido para ninguém, mas na minha cabeça, eu queria alguém. Eu sonhava com alguém. Depois, percebi o conceito do amor, percebi que os remetentes nem sempre eram rapazes esteticamente bonitos, e foi nesse momento que tu surgiste. Começas-te a aparecer em qualquer lugar nos textos e mesmo quando eu não tencionava falar de amores, tu estava...

Os sábios dizem que as melhores frases se formam nas maiores decepções. Os decepcionados também são sábios, suponho.

Amores de verão enterram-se na areia e deixam que o mar os leve. Amores de todas as estações, vencem nevões, inundações, altas temperaturas, tornados e até maremotos.

De braço dado com a mudança.

'Aprovado'. Não soube olhar aquela palavra e não sorrir. Era uma alegria tão intensa que mal notei o que aquilo realmente significava. Eu mudo a disposição do meu quarto de 2 em 2 meses e mudo a minha rotina diária todas as semanas, porque não gosto da monotonia dos dias. Não gosto de saber constantemente com o que contar e não gosto da sensação de estar estanque. No dia em que me apercebi que a minha vida iria realmente mudar, senti medo. Ia dar uma volta bem maior do que eu imaginara. Tudo se alterou. O lado bom de mudar o meu quarto e a minha rotina era que era eu quem tinha o controlo e de alguma forma isso fazia-me saber com o que contar. Ali, genuinamente, eu não saberia... Quando me apercebi que estava matriculada noutra escola e noutra turma, a rotina fez-me falta. As caras familiares, as vozes que conhecia de cor, os sorrisos calorosos à entrada, o lugar certo na sala, o conceito de pertença. No segundo em que olhei aquela palavra exposta numa das folhas do quadro de c...